Coronavírus e Corrida: Preciso me preocupar?

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By Giovana Kaupe / 15 de março de 2020

Com a maior preocupação das pessoas devido ao surto de Coronavírus (COVID-19), muitos corredores estão em dúvida quanto à continuidade dos seus treinos e a sua chance maior ou menor de contrair doenças devido a este ou a outros vírus e germes.

coronavirus e corrida

A ciência publicada nos últimos anos sugere que pessoas treinadas tem um sistema imunológico mais forte do que sedentários e que até um único treino pode melhorar a resposta imune.

Entretanto, alguns estudos também sugerem que a intensidade e a duração de exercício podem influenciar essa resposta. Além disso, o exercício feito em academias pode ter uma resposta diferente ao feito outdoor.

Eu vou explicar para você se você deve continuar treinando, se precisa se preocupar com seu sistema imune e como se proteger do aumento da incidência do Coronavírus.

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Maratonistas Tem Imunidade Baixa Para o Coronavírus?

Você já pode ter ouvido por aí que corredores e atletas de endurance podem ter imunidade mais baixa, devido ao treinamento extenuante. Essa ideia ficou mais forte após algumas pesquisas do final da década de 80 mostrando que a maratona podia aumentar o risco de infecção até duas semanas após a prova.

Contudo, estudos mais recentes com melhores desenhos experimentais mostraram que corredores após as maratonas poderiam até desenvolver irritações das vias aéreas superiores mas não tinham um risco maior de contrair infecções respiratórias.

Na verdade algumas pesquisas com ratos com treinos moderados por 30min por dia eram mais resistentes ao vírus influenza do que animais não-treinados.

Esse achado corrobora com outros que mostraram que  maratonistas e outros atletas de endurance tendiam a ter poucos dias de doença por ano, mostrando que seus sistemas imunológicos não eram sobrecarregados pelo treinamento e provavelmente eram ainda mais fortes por ele.

Sobre a Janela Aberta de Imunidade Baixa

Por outro lado se acreditava que uma única sessão de exercício muito extenuante poderia diminuir temporariamente a resposta do sistema imune, colocando o atleta em risco aumentado para infecções logo após a sessão de treino.

Isso era conhecido como teoria da “Janela Aberta”, onde células imunes aumentavam na corrente sanguínea e depois desapareciam, provavelmente morrendo como resultado do estresse do exercício.

Posteriormente, um experimento (em ratos) mais sofisticado mostrou que essas células não morriam, mas migravam para os pulmões e outros órgãos que poderiam estar suscetíveis, sugerindo uma vigilância imunológica reorientada.

O que Fazer, Afinal?

Resumindo tudo apresentado até agora, não há evidências limitadas ou confiáveis para o exercício aumentar diretamente a chance de desenvolver qualquer tipo de infecção viral.

Essa  é a conclusão de um estudo de revisão de 2018 sobre exercício e imunidade. Portanto, é seguro se exercitar mesmo com as preocupações com o coronavírus, diz o autor da presente revisão. O exercício, de fato, provavelmente diminuirá o risco de uma infecção.

Cuidados a se Tomar Sobre Coronavírus e Corrida:

Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados. Se você é sedentário, não comece a treinar de forma intensa, faça a progressão correta de exercício.

Em um estudo de 2005 com ratos e o vírus Influenza, um dos grupos que treinou de forma extenuante por muitas semanas desenvolveu sintomas um pouco mais graves da doença.

É justo então dizer que um grande aumento na intensidade ou na duração do exercício, especialmente em pessoas pouco treinadas, pode ter efeitos negativos transitórios no sistema imunológico.  

Além disso, treinar outdoor pode ser melhor do que treinar em academias. Um estudo de 2018 identificou germes potencialmente perigosos em cerca de um terço das superfícies em academias.

Devido à alta movimentação de pessoas e à higiene não-ideal, academias podem não ser o melhor lugar para treinar agora.

Referências do Artigo Coronavírus e Corrida:

Baek, K., Jo, J., Kang, Y. et al. Exercise training reduces the risk of opportunistic infections after acute exercise and improves cytokine antigen recognition. Pflugers Arch – Eur J Physiol, 2020.

Campbell John P., Turner James E. Debunking the Myth of Exercise-Induced Immune Suppression: Redefining the Impact of Exercise on Immunological Health Across the Lifespan. Frontiers in Immunology, 2018;

Dalman M, Bhatta S, Nagajothi N, et al. Characterizing the molecular epidemiology of Staphylococcus aureus across and within fitness facility types. BMC Infect Dis. 2019;

Krüger et al. Exercise-induced redistribution of T lymphocytes is regulated by adrenergic mechanisms. Brain Behav Immun, 2008;

Lowder T1, Padgett DA, Woods JA. Moderate exercise protects mice from death due to influenza virus. Brain Behav Immun, 2005;

Mårtensson S1, Nordebo K1, Malm C1. High Training Volumes are Associated with a Low Number of Self-Reported Sick Days in Elite Endurance Athletes. Sports Sci Med, 2014;

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