Abdominal para Corrida: Você está treinando errado!

Se você é um corredor de rua, provavelmente já ouviu que precisa de um “core forte” para melhorar seu desempenho. A resposta instintiva da maioria das pessoas é deitar no chão e fazer centenas de repetições de abdominais tradicionais (crunches).

No entanto, a ciência do treinamento funcional nos mostra que flexionar a coluna repetidamente não é o melhor abdominal para corrida. Na verdade, pode ser uma perda de tempo se o seu objetivo é performance e prevenção de lesões.

A verdadeira função do core durante a corrida não é flexionar o tronco, mas sim estabilizá-lo. O core atua como uma ponte de transferência de força, protegendo a coluna e mantendo uma postura eficiente durante todo o treino. E o segredo para essa estabilidade não está nos músculos superficiais que formam o “tanquinho”, mas sim nas camadas mais profundas do abdômen.

O Papel do Transverso Abdominal na Corrida

O transverso abdominal é o músculo mais profundo da parede abdominal. Diferente do reto abdominal (o músculo do espelho), o transverso não é um músculo movedor; ele é um estabilizador primário. Ele funciona literalmente como um espartilho natural, conectando-se à fáscia toracolombar nas costas.

Estudos recentes com ressonância magnética em corredores confirmam que o transverso do abdome atua ativamente como um estabilizador secundário durante a corrida . Quando você corre, seu corpo sofre forças rotacionais a cada passada.

O melhor abdominal para corrida é aquele que ensina o seu tronco a resistir a essa rotação indesejada. Exercícios anti-rotação, como o Pallof Press e o lenhador (woodchopper), são fundamentais para construir essa resistência.

pallof press - abdominal para corrida

Estabilidade Dinâmica e Transferência de Força

Na corrida, você precisa de estabilidade dinâmica. Isso significa que seu core deve permanecer firme enquanto seus braços e pernas se movem vigorosamente. Essa estabilidade é o que permite transferir a força gerada pela pelve e membros inferiores para o tronco, impulsionando você para frente com eficiência.

Movimentos como o Dead Bug com bola de estabilidade e rotações com elástico constroem exatamente essa coordenação. Eles ensinam o corpo a dissociar o movimento dos membros da estabilidade da coluna.

A redução da estabilidade do core influencia negativamente a mecânica dos membros inferiores durante a corrida, o que pode aumentar significativamente o risco de lesões .

Os Perigos de um Core Fraco

Um complexo abdominal fraco ou mal treinado não afeta apenas o seu tempo no cronômetro; ele cobra um preço alto do seu corpo. Quando a musculatura profunda do core não consegue estabilizar o tronco adequadamente, o corpo cria estratégias de compensação.

Um estudo publicado no Journal of Biomechanics indicou que a fraqueza da musculatura profunda do core durante a corrida resulta em um aumento significativo das cargas de cisalhamento e compressão nas vértebras lombares . O resultado? Dores na lombar, sobrecarga no quadril e um ciclo de lesões que afasta você das pistas.

Como Treinar o Core Corretamente

Treine o seu core como um sistema integrado de suporte, não apenas para fins estéticos. O melhor abdominal para corrida envolve exercícios que desafiam a estabilidade em diferentes planos de movimento:

1.Para estabilidade isométrica e antiflexão: pranchas, crawlings, abs com rodinha

2.Para força anti-rotacional: pallof press, lenhador, chops

3.Para coordenação e estabilidade dinâmica: deadbugs, torções controladas de tronco, arremesso lateral na parede

4.Movimentos integrados: Como agachamentos com alcance frontal, que conectam o core ao movimento funcional.

Construir uma fundação sólida é o primeiro passo para correr mais forte, mais rápido e sem dores. Substitua os crunches por exercícios funcionais e sinta a diferença na sua próxima corrida!


Se você procura uma assessoria para combinar seu

treinamento de força e de corrida, treine com a Corrida Forte!

programa de fortalecimento para corrida - banner

Referências

[1] Mitchell, U. H., Johnson, A. W., Owen, P. J., Rantalainen, T., & Belavy, D. L. (2019). Transversus abdominis and multifidus asymmetry in runners measured by MRI: a cross-sectional study. BMJ Open Sport & Exercise Medicine, 5(1), e000556.

[2] Mullane, M., Turner, A. N., & Bishop, C. (2021 ). The Pallof Press. Strength & Conditioning Journal, 43(2), 121-128.

[3] Chaudhari, A. M. W., Van Horn, M. R., Monfort, S. M., Pan, X., Oschwald, J. E., & Siston, A. K. (2020 ). Reducing core stability influences lower extremity biomechanics in novice runners. Medicine and Science in Sports and Exercise, 52(6), 1335-1342.

[4] Raabe, M. E., & Chaudhari, A. M. W. (2018 ). Biomechanical consequences of running with deep core muscle weakness. Journal of Biomechanics, 67, 98-105.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *